
O Milagre das Velas é considerado o primeiro prodígio público de Nossa Senhora Aparecida, ocorrido por volta de 1733.
Naquela época, a imagem resgatada do rio não tinha uma igreja e ficava na casa da família do pescador Felipe Pedroso. A residência simples, localizada na região de Itaguaçu, transformou-se em um ponto de encontro espontâneo para a comunidade local.
Todos os sábados, os moradores da vizinhança se reuniam ao redor do altar doméstico para rezar o terço e cantar ladainhas. O espaço litúrgico improvisado era iluminado de forma modesta por apenas duas velas feitas de cera de abelha.
Durante uma dessas noites de profunda oração e devoção, as chamas das duas velas se apagaram de maneira repentina. O fato intrigou os presentes, pois as portas e janelas estavam fechadas e não havia nenhuma corrente de ar no recinto.
Uma das devotas presentes, chamada Silvana da Rocha, prontamente se levantou com a intenção de reacender os pavios. Antes que ela pudesse pegar o fogo ou fazer qualquer movimento de aproximação, um novo fenômeno surpreendeu as testemunhas.
As duas velas se acenderam sozinhas e simultaneamente, sem que nenhuma mão humana as tocasse ou levasse calor até elas. O clarão repentino assustou e emocionou os fiéis, que caíram de joelhos ao perceberem o caráter divino daquele sinal.
A notícia sobre as luzes que ganharam vida própria se espalhou com velocidade impressionante pelas vilas e fazendas vizinhas. O prodígio foi interpretado pela comunidade católica como uma confirmação clara do poder espiritual daquela pequena imagem.
Esse acontecimento marcou o início de uma romaria constante, atraindo viajantes e tropeiros vindos de regiões distantes. A humilde casa dos pescadores rapidamente tornou-se pequena demais para acolher a quantidade de peregrinos que chegava. O fluxo incontrolável de devotos chamou a atenção do padre José Alves Vilela, vigário da paróquia de Guaratinguetá.
Diante da necessidade urgente de um espaço sagrado maior, o sacerdote solicitou autorização formal às autoridades eclesiásticas. O pedido resultou na construção da primeira capela oficial no Morro dos Coqueiros, que foi inaugurada no ano de 1745.
A história desse acendimento espontâneo permanece documentada nos registros históricos do Santuário Nacional de Aparecida. O milagre das velas consolidou a fé do povo e deu o impulso definitivo para o nascimento do maior centro de peregrinação do Brasil.
