10 anos – Uma imagem – uma história
O ano de 2016 foi o ano mais longo da minha vida. Depois de um bom início de ano, em maio fui dispensado do meu emprego de 17 anos e, simplesmente, informado que o motivo era o custo e que o contrato não cobria. Logo em seguida, fui contratado por outra empresa, por um salário inferior ao que ganhava, mas percebi que o importante era me manter no mercado, trabalhando. As orações no terço dos Filhos de Maria e da minha esposa foram fundamentais para atravessarmos este momento difícil. Passado este início de ano, já complicado, em junho falei que iria me dedicar ao meu emagrecimento. Procurei um endócrino e, no fim de junho, após meu aniversário, comecei a fazer uns exames de sangue e de imagem. Durante um dos exames de ecografias, o médico informou que tinha algo que não era nítido e que não era possível identificar, mas disse que seria bom fazer uma tomografia para ver o que poderia ser. Disse, ainda, que no resultado do exame iria colocar uma observação ao meu endocrinologista. Quando terminei os exames, voltei ao endocrinologista para iniciar a dieta. No consultório, ele avaliou os exames, solicitou a tomografia e pediu para a fizesse um pouco antes de retornar à consulta. Iniciei a dieta e 30 dias depois fiz o referido exame. Recebi o resultado dois dias depois do Dia dos Pais e na semana do aniversário do meu filho. O resultado do exame dizia que poderia ser um suposto carcinoma de células renais. Avisei então minha esposa do resultado e enviei um e-mail ao endocrinologista, que solicitou que eu procurasse, imediatamente, um nefrologista. Minha esposa pediu mais orações ao grupo do terço. Na semana seguinte, consultei um nefrologista, que disse que não entendia sobre este assunto e quem poderia ajudar era o urologista, especialista em tratamento de tumores. Ligamos para o consultório de um médico dessa especialidade, renomado em Brasília e que é difícil de agendar, mas havia tido uma desistência e conseguimos um encaixe para atendimento um dia depois. Conversamos com este urologista e ele informou que precisaria retirar o tumor, pois não era recomendável fazer a biopsia no rim, pois além do risco de contaminação de outros órgãos, a probabilidade de dar um “falso positivo” era grande. Então, ele me recomendou um cardiologista para avaliação do risco cirúrgico, exames pré-operatórios, além de uma ressonância magnética, o que daria uma noção maior de onde estaria o tumor e o tamanho. Avisou-me, ainda, que a cirurgia deveria ser aberta e a recuperação seria de alguns meses. Nesse meio tempo, entre um exame e outro, resolvi pegar uma segunda opinião. Consegui, através de dois grandes amigos, uma consulta com outro urologista muito experiente. Na consulta, ele me informou que o tumor realmente teria que ser retirado para análise, pois não era possível biopsia. Disse, também, que pelo resultado da tomografia e pelos estudos científicos, a probabilidade era de 92% de ser um tumor maligno e que existiam três tipos de cirurgia: a aberta, por laparoscopia e por laparoscopia robótica, que no meu caso era a mais indicada devido ao meu peso. Mas esta cirurgia era feita apenas, em São Paulo e nenhum plano de saúde cobria este tipo de cirurgia, por ela ser relativamente nova no Brasil. Como ele explicou que era uma cirurgia cara, pois envolvia todo um equipamento caro, internação, equipe médica do hospital, além de uma equipe que ficaria me acompanhando, já pensei em descartar essa cirurgia pelo alto custo, porém, ele não me passou valores e disse que ia fazer o orçamento junto ao hospital. Sai desanimado do consultório, pela forma como ele me fazia pensar em uma cirurgia num valor extremamente alto. Com o salário que ganhava antes nem sonhava nessa possibilidade, agora então, menos ainda. Este urologista passou novos exames de cintilografia óssea para ver se o tumor havia se espalhado e para identificar a possibilidade de uma perda óssea. Informou que era possível que este tipo de tumor estivesse crescendo há pelo menos sete anos, porém nenhum exame havia detectado nada antes. Perguntei o tempo que eu tinha para retirar o tumor e ele disse que era bom fazer a cirurgia até o fim de novembro. Estávamos no início de setembro. Minutos depois de saímos do consultório, minha esposa recebeu uma mensagem dizendo que no terço, enquanto rezava por mim, foi revelado a ela que eu seria operado por um robô. Assim, se passaram três semanas. Enquanto isso, fui ao cardiologista fazer o checkup pré-operatório e as cintilografias, tanto óssea como do coração. Continuava com a dieta em ritmo acelerado, pois sabia que um quilo a mais ou um a menos fariam a diferença durante a cirurgia. Ainda não tínhamos certeza de que tumor se tratava, o tamanho correto, a posição e qual tipo de cirurgia eu iria fazer. Enfim, neste período, chegou o orçamento da cirurgia de São Paulo. Era uma cirurgia cara, então teríamos que ver se era possível levantar todo o dinheiro. Avisei minha mãe, que de imediato avisou ao meu pai que eu teria que fazer uma cirurgia, a retirada de um tumor que ainda não sabíamos o que era. Meu pai pediu os exames e ainda foi atrás de um especialista para ver a possibilidade desta cirurgia robótica em Goiânia. O especialista com quem ele conversou disse que era uma cirurgia de grande porte, mas era mais precisa por ser feita por um robô e o urologista com quem eu tinha conversado em Brasília era um dos melhores nesta área. Este tipo de cirurgia era feito apenas em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Verifiquei com os meus pais se era possível eles me ajudarem a levantar esse dinheiro, pois como era a mais indicada, tínhamos que tentar ver a viabilidade dela acontecer. Neste mesmo período, conversei com o meu superior direto na empresa onde estava lotado. Expliquei o que sabia até então e pedi sigilo. Como ele ia ficar ausente por alguns dias, perguntou se podia contar […]



